Produção de veículos recua 22,9% e é a menor para o mês de abril desde 2004; situação que preocupa, diz Anfavea

A produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus caiu 22,9% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou a associação das montadoras, a Anfavea, nesta quinta-feira (5). De acordo com a entidade, foram produzidas 169.813 unidades no mês passado, contra 220.272 em abril de 2015. Com relação a março deste ano, o ritmo também desacelerou, com queda de 13,6%.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção do setor automotivo encolheu para 658 mil unidades, ou 25,8% a menos que o mesmo período do ano passado, na esteira de uma queda de 27,9% nas vendas, no mesmo tipo de comparação.

A produção foi a menor para o mês de abril desde 2004, quando saíram das linhas de montagem nacionais 163 mil unidades. O desempenho nos 4 primeiros meses do ano também é o pior desde 2004, que registrou 647 mil unidades no período.

PRODUÇÃO CARROS - QUEDA

“A queda em relação no ano anterior vem se reduzindo mês a mês. É uma queda bastante expressiva ainda, e pelo terceiro ano consecutivo. Mas nos emplacamentos diários vemos uma estabilização”, afirmou Antonio Megale, que assumiu a presidência da Anfavea no mês passado.

“A gente está utilizando uma capacidade baixa da indústria, com mais ou menos 52%. Em alguns setores, a ociosidade fica entre 70% e 80%, como em caminhões e ônibus”, apontou o executivo.

CAMINHÕES E ÔNIBUS

A indústria de veículos pesados é a que mais sofre no momento. Os emplacamentos de ônibus não chegaram a 1 mil unidades em abril, o que significa queda de 41,6% em um ano. É o pior número para o mês desde 1994. Já as fabricantes de caminhões amargam declínio de 32%.

EXPORTAÇÕES

Enquanto o mercado interno continua em declínio, as vendas de veículos montados para outros países cresceram 26,3%. Foram 37.851 unidades exportadas em abril, contra 29.960 no mesmo período de 2015. De janeiro a abril deste ano, o volume de exportações de carros, caminhões e ônibus aumentou 24,3%.

No entanto, o valor das exportações foi 7,6% menor que o registrado no mesmo período de 2015. “Estamos exportando veículos de menor valor agregado e deixando de exportar máquinas e caminhões (de maior valor)”, explicou Megale.

EMPREGOS

O balanço de demissões e contratações ficou estável em abril. O setor continua empregando diretamente o mesmo número de março, que foi de 128 mil trabalhadores. No entanto, o nível é 8% menor do que em abril de 2015.

Além disso, cerca de 30% dos empregados está com algum tipo de flexibilização na carga horária. Segundo Megale, 6 mil estão em lay-off e outros 29.600 mil dentro do Programa de Proteção ao Emprego (PPE).

Novos cortes não estão descartados nos próximos meses, já que o nível de vendas continua caindo. “Ainda não é suficiente para dizer que há uma estabilização (no nível de emprego)”, afirmou Megale.

REAÇÃO?

De acordo com a Anfavea, mesmo com uma possível mudança no governo federal, a reação do mercado ainda pode demorar alguns meses para ocorrer.

“Torcemos para ter uma solução rápida, qualquer que seja. Depois disso, vai depender das medidas que impactarem a confiança do consumidor. É difícil fazer uma previsão, mas a gente entende que no final do ano ou começo do ano que vem podemos observar sinais de melhora”, afirmou Megale.

As projeções para este ano continuam as mesmas desde janeiro, com queda de apenas 0,5% na produção e 7,5% nas vendas em 2016 – valor bem otimista se comparado aos números dos primeiros meses do ano. A Anfavea aguardará mais um mês para revisar as expectativas.

Fonte: G1

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