
A Revolução Constitucionalista, iniciada em São Paulo no dia 9 de julho de 1932, é lembrada como uma resposta ao governo provisório instaurado após a Revolução de 1930. Embora tenha mobilizado amplos setores da sociedade, o movimento teve origem entre parcelas da elite que se opunham às transformações econômicas, sociais e políticas que o novo governo, liderado por Getúlio Vargas, buscava implementar para romper com o atraso representado pela República Velha. A história registra, assim, um momento de tensão entre projetos distintos de país, algo que, sob outras formas, segue presente nos dias atuais.
Hoje, quase um século depois, o Brasil vive um novo capítulo dessa disputa, pois assim como em 1932, há resistências da elite política e econômica às mudanças que parte expressiva da sociedade, formada em sua maioria pela classe trabalhadora, reivindica. A luta por mais proteção social, melhores condições de trabalho e justiça fiscal enfrenta obstáculos semelhantes, como a manutenção de privilégios concentrados e a dificuldade em avançar em reformas estruturantes.
Propostas como o fim da jornada 6×1, a regulação de novas formas de trabalho, o combate à pejotização forçada e à uberização, bem como a valorização do trabalho com carteira assinada, refletem demandas legítimas por mais equilíbrio nas relações de trabalho. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), alvo frequente de ataques e tentativas de desmonte, continua sendo uma das principais garantias da dignidade profissional no país.
Além disso, ganha força o debate sobre uma reforma tributária justa, que inclui a chamada “Taxação BBB”, voltada à tributação de bilionários, bancos e bets (casas de apostas), buscando corrigir distorções históricas do sistema brasileiro, onde os que ganham mais pagam proporcionalmente menos. Essa pauta encontra resistência em setores que ainda concentram poder e renda, assim como ocorreu em outros momentos da história.
Neste 9 de julho, ao lembrar os conflitos do passado, é essencial olhar para o presente e reconhecer que essa discussão precisa estar no centro da agenda nacional. Lutar contra a precarização das relações de trabalho e exigir que os mais ricos contribuam de forma justa com a sociedade são passos fundamentais para que o país avance rumo à modernidade, superando práticas e visões que ainda refletem os valores arcaicos da República Velha.