
A rápida evolução dos carros elétricos e a concorrência das montadoras chinesas estão acelerando a desvalorização desses veículos e tornando a revenda mais difícil. Nos Estados Unidos e na Europa houve queda nas vendas, o que resultou na redução dos preços de revenda e acúmulo de estoques em concessionárias e fábricas. Já no Brasil, embora as vendas de carros elétricos ainda estejam em alta, a desvalorização desses veículos preocupa, com modelos de 2 ou 3 anos de uso sendo vendidos com até 45% de perda em relação ao preço original, em alguns casos custando menos da metade de um novo.
A desvalorização dos carros elétricos seminovos é impulsionada pela rápida evolução tecnológica, infraestrutura de recarga limitada e pela guerra de preços entre montadoras, liderada pelas fabricantes chinesas, que obrigou outras empresas a reduzirem os preços. Enquanto isso, os veículos híbridos apresentam uma depreciação mais controlada.
Dados da Webmotors, por exemplo, apontam que os carros elétricos tiveram uma desvalorização média de 12% em 2023, enquanto os híbridos caíram 6% e os veículos convencionais perderam cerca de 2,25% de valor. Mesmo com o crescimento da demanda por eletrificados, a infraestrutura insuficiente e as dúvidas sobre a durabilidade das baterias influenciam negativamente o mercado de usados.
Além disso, algumas concessionárias, como a Amazon, da Volkswagen, suspenderam a compra de carros elétricos por causa do tempo prolongado em que esses veículos ficam parados nos pátios. Até as locadoras de veículos, grandes compradoras, diminuíram suas aquisições. Modelos como o Nissan Leaf e o Renault Zoe, adquiridos por valores elevados há poucos anos, estão sendo revendidos com depreciação de até 45%.
Por outro lado, montadoras chinesas como BYD e GWM estão adotando estratégias para reduzir a desvalorização, como oferecer programas de recompra dos veículos seminovos por valores próximos à tabela Fipe e garantias estendidas para as baterias, buscando aumentar a confiança dos consumidores. Ainda assim, especialistas acreditam que a desvalorização continuará sendo um desafio até que o setor se estabilize tecnologicamente.
*Com informações do Estadão