
Desde a última sexta-feira (21/03), trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada – inclusive empregados domésticos, rurais e microempreendedores individuais (MEIs) – podem contar com o Crédito do Trabalhador, um novo modelo de empréstimo consignado com juros mais baixos do que os praticados atualmente pelo mercado.
A iniciativa, lançada pelo Governo Federal por meio de medida provisória, pretende garantir que o trabalhador utilize sua margem consignável para contratar um empréstimo com juros mais acessíveis e com desconto direto na folha de pagamento, tudo por meio da Carteira de Trabalho Digital.
Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, essa é uma chance para quem está sufocado por dívidas caras renegociar de forma mais vantajosa. “É como se você tivesse um aumento real de salário. Ao pagar menos juros, sobra mais no fim do mês”, afirmou.
O presidente Lula também destacou a importância da medida para que o crédito seja usado com responsabilidade. “A ideia é aliviar o endividamento, não criar novas dívidas. Por isso, procure o banco que oferecer a menor taxa e faça a troca”, recomendou.
Como funciona o Crédito do Trabalhador?
O acesso será feito pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). Ao autorizar o compartilhamento de dados com instituições financeiras habilitadas pelo Ministério do Trabalho, como nome, CPF, tempo de empresa e margem consignável, o trabalhador passa a receber propostas de crédito em até 24 horas.
A escolha do empréstimo e a contratação também são feitas de forma digital, garantindo mais autonomia e transparência ao trabalhador, que poderá comparar as ofertas e optar pela mais vantajosa.
Parcelas e descontos
As parcelas do empréstimo serão descontadas diretamente da folha de pagamento, respeitando o limite de 35% do salário. Quem já possui empréstimo com desconto em folha poderá migrar para o novo modelo a partir de 25 de abril, se encontrar condições mais favoráveis.
E se houver demissão?
Em caso de desligamento, o desconto das parcelas será feito sobre as verbas rescisórias, dentro dos limites legais. Além disso, o trabalhador poderá usar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia para o empréstimo.
Mais opções, menos juros
A expectativa é que mais de 80 instituições financeiras sejam habilitadas para oferecer o Crédito do Trabalhador. A partir de junho, será possível fazer portabilidade do crédito para bancos que oferecerem condições ainda melhores.
Importante saber
A contratação, por enquanto, será feita apenas pelo app CTPS Digital. A partir de 25 de abril, os bancos também poderão ofertar diretamente pelos seus canais eletrônicos.
A nova linha não substitui o Saque-Aniversário do FGTS.
Quem tem empréstimos no modelo CDC (Crédito Direto ao Consumidor) pode optar por migrar para o Crédito do Trabalhador, caso deseje.
Atenção, categoria trabalhadora:
O Crédito do Trabalhador é um passo importante para dar mais fôlego ao orçamento de quem vive do próprio esforço. Mas vale o alerta: essa é uma ferramenta para aliviar o peso das dívidas, não para estimular o consumo irresponsável. Use com consciência, compare as condições, e, se possível, busque orientação financeira.